sábado, 11 de fevereiro de 2012

Regresso ao passado (II)

(...) Quase instantaneamente ela levanta-se, diz-me "Não fiques triste, papá. Gosto tanto do teu sorriso.", e dá-me um beijo no rosto.
Aquele beijo tão delicado fez-me entrar por completo num estado de nostalgia, fecho os olhos e começo a rever o passado. Dou por mim naquela mesma praia desta feita mais jovem e acompanhado por outra pessoa, rondávamos os dois a mesma idade e pelo brilho do nosso olhar parecíamos bastante felizes.
O brilho daqueles olhos azuis confundia-se com o brilho cristalino do mar, os seus cabelos teimavam em levantar e flutuar cada vez que uma brisa mais forte se fazia sentir. Gostaria de saber o que se estava a passar, pois acabaras de sorrir de uma maneira resplandecente. Sei que teimavas em dizer que esse sorriso não era bonito, mas eu gostava.
Ahh, já me lembro, tinha acabado de dizer "Amo-te". Mas como era possível ter tido um lapso de memória, principalmente quando se tratava da maneira tão bonita com que sorrias para mim, cada vez que eu exprimia por palavras o meu sentimento por ti? O mais certo era eu estar a sentir falta de viver todos aqueles momentos uma vez mais.
Sabendo que não seria possível voltar a repetir aqueles momentos, restava-me ficar com as saudades que começaram a percorrer todo o meu corpo. Restava-me ficar com as saudades do teu sorriso, as saudades do teu olhar, as saudades da tua voz, as saudades de te tocar, as saudades de que estivesses a meu lado, as saudades de me sentir protegido, as saudades de te proteger ...as saudades de ti.
Quando dou por mim estou literalmente a ser sacudido e enquanto isso uma voz doce refila comigo e diz: "Papá, estás a ouvir-me?"

"Quando se ouve certas músicas fica-se com saudade de algo que se teve e nunca mais se terá" (adaptado de Samuel Howe)

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