sábado, 9 de junho de 2012

Portugal: Sorte, onde andas?

Esta noite ficou provado, uma vez mais, que Portugal anda sem sorte. Seja nos políticos, nos governantes, ...bem, agora até ao futebol chegou esta maré de azar.
Muitos criticam a maneira como a nossa selecção pode ter abordado a partida, principalmente na primeira parte onde se viu uma equipa (visto bem as coisas, foram ambas) a jogar dum modo muito calculista. Mas contra esta Alemanha era impossível jogar doutra maneira, a não ser que quiséssemos ser humilhados.
Duas bolas aos ferros, um golo sofrido onde o cruzamento que o deu origem sofre um desvio num jogador português, ... será sinal de sorte? Definitivamente não. O azar anda por estes lados.
Portugal teve uma grande resposta ao golo sofrido, e uma vez mais como se tem assistido nas ultimas partidas, a bola tende a fugir das redes adversárias.
Até no árbitro tivemos azar (francês + futebol + portugal = lixar a vida aos portugueses) , não porque teve influência directa no resultado final, mas sim porque se pedia alguém com mais experiência para um jogo deste nível, e isso viu-se em determinadas ocasiões da partida onde o critério não foi o mesmo.
Uma nota ao polvo Paulo...não voltes a trair a tua pátria.

Se jogarem como hoje, podem ir longe.
FORÇA PORTUGAL!



quinta-feira, 7 de junho de 2012

Reflexão

Estamos numa tarde de primavera, que decidiu mascarar-se duma tarde de inverno. O céu está cheio de nuvens, no entanto, a brisa trazida pelo vento e o som das folhas das árvores traz-me uma forte sensação de paz e tranquilidade. Tranquilidade que bem necessito nestes últimos tempos.
O vento parece levar para bem longe qualquer sentimento mau, daqueles que por vezes nos incomodam. Assim, consigo sentir-me quase feliz...
Na rua, algumas crianças passeiam bem agasalhadas, alguns cães brincam entre as plantas, saltam muros, ladram e imensos pássaros fazem uma fantástica melodia vinda do seu chilrear enquanto ziguezagueiam entre eles e por entre os ramos das árvores.
O ar 'puro' que vem da rua ao meu encontro e me "bate" enquanto estou na janela, enche o meu peito de alegria e até de esperança, mas… apesar disso, eu, sinto-me quase feliz…
Não sei ao certo o que me falta, bens materiais não são. São até demais, os privilégios que a nossa geração tem. Graças a isso deixamos de dar valor a outras (grandes) coisas que nos rodeiam, e que nos faz mais felizes. Amigos? Bem, esses não são muitos. Apenas os necessários, aqueles que sei que posso sempre contar.
Começo a reflectir sobre aquele meu estranho sentimento e não demorei muito para perceber que, o que me faltava para estar feliz era a necessidade de ir ao encontro, pela brisa da manhã enquanto ouço música e penso na vida, de um dos sítios que melhor me faz.
Descobri isso e suspirei de alívio, pois sei que em breve vou ao teu encontro.

(Adaptado de outro texto que já tinha escrito anteriormente.)



segunda-feira, 26 de março de 2012

A carta que nunca te escrevi

"Olá.
Hoje é o primeiro dos dias sem ti, é o primeiro dia sem ouvir a tua voz pela manhã. Apenas passou um dia e já tenho saudades...de ti.
Mas será que algum dia te conheci verdadeiramente? Depois de tudo penso que não. Também te magoei, mas sabes que essa nunca foi a minha intenção, sabes que me despedaçava o coração ver-te infeliz.
Cada esquina que dobro nesta cidade me faz lembrar um momento só nosso, mas não passa disso lembranças dum passado feliz. Mas...será que posso considerar feliz algo envolto em falsidades? Será que posso considerar feliz algo em que os ciúmes eram donos e até reis daquilo em que deveríamos ser nós a mandar? 
Provavelmente estou apenas a exagerar e a fazer mais um dos muitos filmes que são normais vindos de mim, mas aquilo que sempre te pedi acima de tudo foi sinceridade. Será que a tive em todos os momentos? O dia de hoje é capaz de me responder a essa pergunta e sendo assim parece que a resposta é "Não.".
Por muitos dias, anos até...cheguei a pensar que fosses especial e que como tu não havia igual. Mas enganei-me, o amor cegou-me e impediu-me de ver a fraquidão de pessoa que eras...ou pelo menos que te tornaste.
E apesar de tudo, sabes que sou teu amigo. Caso algum dia necessites de mim eu estou aqui, como sempre estive, pois sempre fui teu amigo.
Beijinhos,
Américo
P.S: É mais fácil para mim dizer-te um "Não." sincero, do que um "Sim." falso."


"As pessoas fracas não podem ser sinceras." (François La Rochefoucauld)

sexta-feira, 2 de março de 2012

Silêncio

Assim que a lua nasce a par da noite, o silêncio toma conta das históricas ruas da cidade. Silêncio esse somente quebrado pelo chilrear das gaivotas e pelo ténue som da corrente do rio.
Aliando isso ao silêncio de um "simples" olhar, acabava de se criar a mais bonita melodia de amor.

"As mais lindas palavras de amor são ditas no silêncio de um olhar." (Leonardo da Vinci)



domingo, 12 de fevereiro de 2012

Estrela (III)

(...) Quando dou por mim estou literalmente a ser sacudido e enquanto isso uma voz doce refila comigo e diz: "Papá, estás a ouvir-me?".
- "Não, desculpa. Perdi-me nuns pensamentos do passado." - respondi.
- "Estavas a pensar na mamã, não era?"
- "Sim, foi isso." - fiz uma pausa, enchi os pulmões com o ar fresco que se fazia sentir, e continuei - "Queres voltar para casa? Já está a ficar tarde."
Com um aceno de cabeça, ela respondeu afirmativamente, e com isto regressámos a casa.
A dada altura no caminho de regresso, enquanto estava parado num sinal vermelho, olho pelo espelho retrovisor e reparei que a minha pequena princesa tinha adormecido. Acontecimento perfeitamente normal, afinal tinha gasto bastante energia durante o dia, com todas as corridas, todas aquelas brincadeiras que adorava.
Quando chegámos a casa, ela ainda dormia por isso, decidi que não a iria acordar. Peguei-a ao colo e fui deitá-la na sua cama para que ela pudesse dormir mais enquanto eu preparava o jantar.
Decidi fazer um prato que ela gostava bastante, aliás acho que todas as crianças gostam de arroz com uns "bifinhos" e cogumelos, até eu me deliciei com aquele jantar. Estava esfomeado.
No fim de jantar, ela perguntou-me se podia ir deitar-se comigo. Estranhei o pedido mas cedi e disse "Sim Beatriz, podes vir deitar-te com o papá.".
E assim foi, fomos os dois para onde melhor se combatia o frio das gélidas noites de Inverno, o quente dos cobertores. Minutos depois de nos termos deitado ela vira-se para mim e diz "Fala-me da mamã.".
- "O que queres saber?" - perguntei.
- "Tudo" - respondeu de imediato
E assim foi, durante longos minutos dei-lhe a conhecer os vários aspectos que faziam da mãe dela, a pessoa que me deslumbrou desde o primeiro instante que a vi, e que me encantava cada vez mais à medida que o tempo corria.
- "Sabes, assim como tu, a tua mãe também gostava de observar as estrelas."
- "Então hoje vou adormecer a ver as estrelas, pode ser que a mamã seja uma daquelas estrelas no céu." - disse com uma voz sonolenta.
- "Fazes bem em dormir, foi um dia longo, princesa."
Com isto dei-lhe um beijo de boa noite, e ela esboçou um belo sorriso, ajeitou-se sobre o meu peito, e ali adormeceu enquanto observava as estrelas... mal sabia ela, que a mãe adorava adormecer assim.
Naquela noite também eu adormeci a olhar as estrelas, que não me faziam apenas relembrar o brilho daqueles olhos azuis, mas principalmente o esplendor do seu coração.

"Ainda que haja noite no coração, vale a pena sorrir para que haja estrelas na escuridão."  (Arnaldo Alvaro Padovani)
(Fim)

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Regresso ao passado (II)

(...) Quase instantaneamente ela levanta-se, diz-me "Não fiques triste, papá. Gosto tanto do teu sorriso.", e dá-me um beijo no rosto.
Aquele beijo tão delicado fez-me entrar por completo num estado de nostalgia, fecho os olhos e começo a rever o passado. Dou por mim naquela mesma praia desta feita mais jovem e acompanhado por outra pessoa, rondávamos os dois a mesma idade e pelo brilho do nosso olhar parecíamos bastante felizes.
O brilho daqueles olhos azuis confundia-se com o brilho cristalino do mar, os seus cabelos teimavam em levantar e flutuar cada vez que uma brisa mais forte se fazia sentir. Gostaria de saber o que se estava a passar, pois acabaras de sorrir de uma maneira resplandecente. Sei que teimavas em dizer que esse sorriso não era bonito, mas eu gostava.
Ahh, já me lembro, tinha acabado de dizer "Amo-te". Mas como era possível ter tido um lapso de memória, principalmente quando se tratava da maneira tão bonita com que sorrias para mim, cada vez que eu exprimia por palavras o meu sentimento por ti? O mais certo era eu estar a sentir falta de viver todos aqueles momentos uma vez mais.
Sabendo que não seria possível voltar a repetir aqueles momentos, restava-me ficar com as saudades que começaram a percorrer todo o meu corpo. Restava-me ficar com as saudades do teu sorriso, as saudades do teu olhar, as saudades da tua voz, as saudades de te tocar, as saudades de que estivesses a meu lado, as saudades de me sentir protegido, as saudades de te proteger ...as saudades de ti.
Quando dou por mim estou literalmente a ser sacudido e enquanto isso uma voz doce refila comigo e diz: "Papá, estás a ouvir-me?"

"Quando se ouve certas músicas fica-se com saudade de algo que se teve e nunca mais se terá" (adaptado de Samuel Howe)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Aniversário (I)

Estava eu envolto nos meus sonhos, quando numa manhã de Sábado ouço no fundo do meu inconsciente uma voz doce e traquina a dizer "Papá acorda. Faço anos hoje.". Com muito custo abro um olho e como era habitual todas as manhãs, vejo aquele rosto sorridente a irradiar uma imensa felicidade.
Felicidade essa que enchia o meu coração e me dava forças para enfrentar todas as rotinas diárias, todos os desafios que me apareciam pela frente, coisa que nem sempre era tarefa fácil. Era ver aquela felicidade que me dava forças para não desistir de tudo, tinha em mãos um forte motivo para continuar.
Entretanto, a mesma voz volta-se a ouvir desta vez dizendo: "Papá acorda. Não sejas do'minhoco.".
Eu sabia que tinha de acordar e sair da cama, sabia que era um dia especial para aquela pequena menina, portanto respondi "O papá já está acordado, Beatriz.", enquanto isso aproximei-me dela, e dei-lhe um abraço enorme e os parabéns. Como seria de esperar, ela ficou toda feliz e começou aos pulos em cima da cama, típico da idade. E como era o seu aniversário nem me importei.
Infelizmente, na minha vida, este dia não significava apenas o aniversário da minha filha...significava também o dia em que a mãe dela morreu. Ultimamente, com uma regularidade crescente ela perguntava-me porque é que não tinha mãe, e aos poucos eu ia-lhe explicando. Revelava-se uma tarefa difícil, mas que tinha de ser feita, aquela criança merecia saber tudo sobre a grande mulher que a trouxe ao mundo.
O dia foi passando, e como tinha combinado, naquele dia era ela que escolhia os planos. Para grande surpresa minha, os pedidos daquele dia resumiram-se a passar uma manhã no parque, um almoço pouco saudável e ir passear pela praia durante a tarde. Fiquei surpreso pela escolha de tais planos, mas nem sequer os questionei, limitei-me a fazer com que o dia fosse como a pequena princesa desejou.
Durante o passeio pela praia, todas as vezes que olhava para ela recordava-me da sua mãe, aqueles olhos, aquele cabelo, até o sorriso era igual. Uma lágrima escorreu do meu olho, "Espero que ela não tenha reparado", pensei.
Mas tinha de me abstrair daquele pensamento, não queria que ela me visse triste, pelo menos hoje. Para tornar essa tarefa mais fácil decidi começar a correr atrás dela pela areia, até que nos cansámos.
Fomos sentar-nos a apreciar o mar, e enquanto isso e mais uma vez para grande surpresa minha, ela pergunta-me "Estás triste, papá?".
- "Não. Quer dizer, mais ou menos.", respondi.
- "Então? Portei-me mal?".
- "Não, nada disso. Sabes aquele assunto que temos falado? Sobre a tua mãe? É isso.", respondi eu com um sorriso, para tentar não a preocupar.
- "Mas porquê hoje? Porque te lembraste disso no meu dia de anos, papá?"
- "Sabes, eu lembro-me disso todos os dias. Mas, o dia dos teus anos faz-me lembrar ainda mais porque a tua mãe morreu quando nasceste. Perdi uma rainha, mas ganhei uma princesa."
Quase instantaneamente ela levanta-se diz-me "Não fiques triste, papá. Gosto tanto do teu sorriso.", e dá-me um beijo no rosto.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Incompatíveis

Conhecemos-nos aproximadamente à oito anos, tempo mais que suficiente para eu aprender a viver contigo na minha vida, sim...porque tu não te importas sequer para a minha existência.
No inicio cheguei a pensar que até poderíamos dar-nos bem, afinal de contas eu dava-me bem com as tuas duas melhores amigas e nem parecias muito complicada de entender, principalmente porque as três andavam quase sempre juntas e eram relativamente parecidas.
Actualmente sei que foram meras ilusões, nunca te cheguei a compreender como pensei que poderia ser possível, para ser sincero quanto mais tempo passa e mais te conheço, menos te compreendo.
Apesar de tudo isso sei que cada vez estou mais perto de me desfazer de ti, de te poder dar mais desprezo e não dar tanta atenção a tudo aquilo que te constitui. Daqui a dois dias espero conseguir dar mais um passo nesse sentido, e desta vez, por muito maior que seja o teu magnetismo ou a tua atracção sob outros corpos não me vais impedir disso.
Está provado que somos incompatíveis!
(Podia estar a falar duma relação entre mim e outra pessoa, mas não...estou a falar da minha relação com a Física!)


sábado, 21 de janeiro de 2012

Uma Aventura

Cada dia que passa é uma aventura, viver é um risco que todos nós enfrentamos, é um perigo iminente a cada gesto nosso. É um risco que vale a pena ser encarado a todos os instantes. Quanto mais não seja pela sensação de adrenalina que nos faz sentir.
Afinal quem é que, em criança, nunca sentiu aquela adrenalina de ir "roubar" uns chocolates ao armário enquanto as nossas mães não estavam a ver? Não é que fosse um risco muito grande, mas havia sempre a possibilidade de ficarmos de castigo, coisa de que não éramos muito apreciadores.
O tempo passa e as pessoas crescem (nem todas), os riscos são maiores, as aventuras são outras.
Não sei se é correcto dizer que cada momento que passo com todos vocês é um risco, mas sei que é correcto dizer que cada momento que passo com vocês é uma aventura.

"Para quê levar a vida tão a sério, se a vida é uma alucinante aventura da qual jamais sairemos vivos." (Bob Marley)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Por ti

Por ti, era capaz de qualquer loucura.
Por ti, fazia as estrelas brilhar.
Por ti, tornava cada momento numa aventura.
Por ti, aprendia a voar para nunca te deixar.
Por ti, acordava de madrugada.
Por ti, descobria a terra perdida.
Por ti, arriscava a minha vida.
Agora... Por ti, não fazia nada.


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Nostalgia

Todas as vezes que vejo aquelas camionetas verdes e brancas, com um "M" branco, recordo-me de ti.
Nostalgia que insiste em assaltar-me o pensamento, e que por todas as reviravoltas, insiste em confundir o meu interior.
É certo que apesar de todos os impedimentos podemos contar sempre um com o outro; para mim, prova mais do que suficiente de que agora que esses impedimentos desapareceram tudo possa voltar a ser como outrora; prova mais do que suficiente de que afinal a nossa amizade é real e não se baseia em hipocrisias do quotidiano.

"Pode ser que um dia nos afastemos...Mas, se formos amigos de verdade, a amizade nos reaproximará" (Albert Einstein)


terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O nosso mundo (X)

(...) entrelaçados toda a noite. De manhã, ao raiar do sol, quando acordámos os nossos corpos ainda se encontravam entrelaçados da mesma maneira, como tínhamos adormecido.
Antes do regresso a Portugal ainda tivemos de arrumar imensas coisas, e por minutos que não íamos perdendo o avião, visto que como verdadeiros preguiçosos que somos ficamos imenso tempo na cama, e deixamos tudo para a última.
Durante o regresso, ia com os olhos semi-fechados quando a sinto mexer-se e a encostar-se a mim e disse:
   - Sabes, apesar de tudo aquilo que se passou com a outra rapariga, gostei imenso desta viagem. 
   - Gostaste? A verdadeira intenção da viagem era essa, tu sabes. Infelizmente aconteceram coisas não programadas. - disse eu , com um ar abatido.
   - Sim, acho que aprendeste com o teu erro. Isso é bom, pois fez-te crescer. Estou confiante que isso acabe por melhorar tudo aquilo que já temos. - disse ela, enquanto me dava um beijo no rosto.
   - Por esse ponto de vista, sou obrigado a concordar contigo. Só espero que tenhas gostado da surpresa de ontem. - disse eu, de modo a que ela respondesse se tinha gostado ou não.
   - Não sei bem porquê, mas penso que já te respondi a isso durante a noite. Não respondi? - disse-me com um ar maroto.
   - Sendo assim, prepara-te. Foi a primeira de muitas. - retorqui , soltando uma gargalhada.
Acabámos por adormecer, de mãos dadas, e só voltaríamos a acordar minutos antes da aterragem.
Após a última vez que havíamos tocado em solo português muita coisa tinha mudado, agora éramos cada vez mais um só, e a partir daquele momento, juntos, construímos um mundo só nosso. Um mundo que muitos desejariam ter, mas poucos conseguiam. Um mundo de felicidade, completamente o oposto do mundo real cheio de hipocrisia e interesses. Aquela viagem tinha-se tornado um virar de página no livro da nossa vida.
Juntos fomos felizes num mundo só nosso <3

P.S: No final do décimo texto, termino assim a minha primeira "história". Nos próximos tempos, não se se irei continuar a escrever mais "histórias", ou se serão publicações de um único texto.
Aproveito para agradecer a todos aqueles que criticaram o meu trabalho (positivamente ou negativamente), e espero continuar a ter a presença de todos aqueles que lêem estes "Rascunhos". Obrigado.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Entrelaçados (IX)

(...) Acabámos por adormecer com as nossas mãos entrelaçadas. A partir daquela noite, o nosso amor tornou-se mais forte do que antes, uma atitude que nos poderia separar acabou por nos unir ainda mais. Nos dois dias que se seguiram fomos conhecer os monumentos e locais mais emblemáticos da cidade de Paris que ainda não tínhamos visitado.
Entretanto naqueles dois dias, eu falei com umas pessoas do hotel de modo a que na última tarde que iria passar em Paris, conseguisse preparar uma surpresa, para uma pessoa muito especial.
Como tinha planeado, naquele final de tarde não corria o perigo dela aparecer no quarto portanto, poderia planear com toda a tranquilidade a surpresa para a nossa última noite em Paris, e assim fiz.
Naquela noite quando a fui receber à entrada do hotel e nos encaminhámos para o quarto, ela estranhou pois numa noite normal teríamos ido para a salão de refeições, no entanto, aquela não era uma noite como as outras. Só que ela não sabia.
Assim que abri a porta do quarto e fiz sinal para ela entrar, senti o seu ar de deslumbramento com aquilo que estava diante dos seus olhos.
Naquele momento aquele quarto parecia um mundo encantado, um mundo bastante romântico que ela apreciou com toda a calma. Começando pela música de fundo "Anda comigo ver os aviões", passando pela suave fragrância a rosas que se fazia sentir, as velas que por ali se encontravam espalhadas ou até mesmo pela mesa que agora se encontrava no centro do quarto. Uma mesa de vidro, com todos os adornos necessários para um jantar romântico.
Aproximei-me dela, abracei-a e ao ouvido sussurrei-lhe:
   - Gostas? É tudo para ti.
Senti o seu coração a bater cada vez mais rápido, e apercebi-me que lhe faltavam palavras tal era a admiração com que ela estava.
   - Eu não acredito no que vejo, consegues sempre surpreender-me. - disse ela.
   - Podes acreditar, tudo isto é real. E podemos começar pelo jantar. - respondi.
Depois do jantar, fomos sentar-nos em cima da cama abraçados um no outro, e ali ficámos durante algum tempo a imaginar como seriam os 714 anos que se iriam seguir.
Enquanto isso eu estava ali a dar-lhe imensos mimos, e a arrepiá-la com o meu "simples" toque de mãos. Ela ria-se, e gostava. Eu fazia mais, gostava de ver aquele sorriso, gostava de vê-la feliz, de fazê-la feliz. A certa altura decidi começar a fazer outras coisas que ela gostava, e eu também... não resistia aquela tentação. Era tão forte. Comecei a dar-lhe beijos pelo corpo, enquanto simultaneamente o percorria com as minhas mãos.
   - Se continuas assim, isto descontrola-se. - disse ela com uma voz marota.
Soltei uma pequena gargalhada, e disse:
   - Gostava de ver isso a acontecer, seria bonito de se ver.
Continuei ali a mostrar-lhe todo o meu afecto por ela, traduzido em carinho. Minutos depois, a situação tinha mesmo ficado fora de controle e já várias peças de roupa estavam espalhadas pelos arredores da cama. No entanto, apesar das peças de roupa estarem todas por ali dispersas, havia algo que se encontrava bem unido. Éramos nós.
No resto da noite, e a contrastar com o frio que se fazia sentir na rua, continuámos naquele clima tórrido. Um resto de noite que acabaria por se tornar inesquecível, após todas as juras de amor que mutuamente fizemos, enquanto deixámos os nossos sentimentos se apoderarem dos nossos corpos e estes se mantiveram entrelaçados toda a noite.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Confiança (VIII)

(...) No instante em que a porta do quarto se fechou, mal sabia eu que três andares acima, a minha companheira começava a chorar compulsivamente.
Mal saí porta fora, afastei-me o mais rápido que podia em direcção ao meu quarto. Apressadamente subi os três andares que me separavam dele, e num ápice estou de caras com a porta do meu quarto, tiro a chave do bolso, e abro a porta. Assim que a abro deparo-me com algo que não esperava, ela tinha acordado e encontrava-se a chorar.
Rapidamente me meti à sua beira, e disse:
   - Desculpa ter saído sem te acordar, mas não conseguia dormir. Mas, porque estás assim?
   - Oh, além de ter acordado com um pesadelo horrível fiquei bastante preocupada com o facto de não teres levado o telemóvel contigo. - respondeu , com alguma tristeza na voz.
   - Se tivesse poderes de adivinhação tinha ficado para te confortar. Mas como não fiquei, sempre posso tentar fazê-lo agora. Apesar de ter uma coisa desagradável para te contar. - disse eu, com algum desassossego.
Quando estas palavras saíram da minha boca ela ficou pálida quase instantaneamente, a sua pele morena havia perdido toda a cor.
Ela perguntou o que tinha para lhe contar que fosse tão desagradável como eu dizia que era, e eu contei toda a história como realmente se havia passado.
Inicialmente ela ficou transtornada como seria de esperar, e fez mil e uma perguntas, perguntas às quais eu respondi a todas com a maior sinceridade. No final daquele merecido "interrogatório", fiquei surpreendido com o que ela me disse:
   - Sabes, isso que fizeste magoou-me imenso mas vou acreditar no que me disseste e mesmo que tenhas sentido algum tipo de desejo por aquela...rameira, eu perdoo-te.
Após uma breve pausa, continuou:
   - Nunca me desiludiste até agora e vou acreditar que o amor que sentes por mim é mais forte do que aquele desejo. E espero também que isso não se volte a repetir.
Sem saber que palavras devia proferir, simplesmente me abracei a ela, sequei as lágrimas que persistiam em sair e com um "simples" beijo nos seus doces lábios tentei transmitir-lhe toda a genuinidade e grandeza do meu amor por ela.
Quando os nossos lábios se separaram, o sorriso que ela esboçou emanou uma felicidade tão grande que pareceu afastar todo o tipo de melancolia daquele quarto.
   - Vamos descansar, estamos a precisar. Depois de toda esta agitação a meio da noite, nada melhor do que passarmos o resto do tempo juntos um ao outro. - disse ela com uma postura ternurenta.
Com isto, fomos deitar-nos, e como pressentia que ela necessitava de bastante afecto e carinho por tudo o que se tinha passado naquela noite, decidi adormece-la da maneira que ela mais gostava, com imensos mimos e a dizer-lhe as mais bonitas palavras de amor ao ouvido. Acabámos por adormecer com as nossas mãos entrelaçadas.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Voz do Coração (VII)

(...) Quando o barulho da porta ao ser fechada se fez sentir, três andares acima alguém acabara de acordar e dera pela falta do seu companheiro.
Naquela altura, eu não fazia ideia de que nos minutos seguintes, ela iria acordar, iria até deixar o calor dos lençóis e levantar-se, onde acabaria por encontrar o bilhete que eu lhe havia deixado. Ligar-me-ia para o telemóvel algo que se viria a revelar inútil, pois eu tinha-me esquecido dele no quarto, e não o trazia comigo.
Enquanto isso, eu estava ali no quarto de outra rapariga, "era só para uma bebida", pensava eu.
   - Podes sentar-te. E também me podes dizer o queres beber. - dizia ela, enquanto arrumava a sua mala, e tirava o seu casaco ficando apenas com um vestido preto.
   - Posso beber o mesmo que tu, não sou esquisito. - respondi , enquanto expressava um leve sorriso.
Imediatamente, ela solta uma gargalhada e diz:
   - Sempre com um sentido de humor tão astuto. Acho isso impressionante.
   - Obrigado. Mas acho que aquilo que disse não foi assim tão...engraçado. - disse calmamente.
Com isto, ela trouxe as nossas bebidas e sentou-se na cadeira ao lado daquela onde eu me encontrava sentado. Estranhei, pelo simples facto de que se poderia ter sentado de frente para mim, mas não comentei.
Os minutos passaram e a certa altura fez-se silêncio, silêncio esse que eu decidi quebrar dizendo:
   - Bem, já se faz tarde. Acho quu...
   - Acho que está aqui bastante calor. - disse ela com uma voz sedutora, interrompendo a minha frase, enquanto baixava uma alça do vestido que trazia.
Naquele instante senti um calafrio, que percorreu o meu corpo de cima a baixo. Tinha mesmo de me ir embora, não podia ficar ali mais tempo.
No entanto, com tal contracção dos meus músculos esboçar algum movimento seria tarefa impossível da minha parte, mas impossível ainda quando ela colocou um braço sobre o meu pescoço, aproximou-se do meu ouvido e com uma voz sedutora sussurrou "Hoje vais ser meu.".
Eu sabia que aquilo não podia acontecer, mas continuava ali quieto. Continuava ali sem qualquer reacção física possível. Começava a sentir-me como lixo, um verdadeiro canalha.
Tinha de ser mais forte do que estava a ser, tarefa que acabaria por se tornar cada vez mais difícil à medida que o tempo passava, pois quando volto a dar por mim a ousada rapariga já se tinha levantado e o vestido tinha escorrido pelo seu corpo e encontrava-se aos seus pés.
Tentei desviar o olhar daquele corpo esbelto que se erguia perante mim, no entanto parecia existir algum tipo de magnetismo que não o permitia. O meu coração começava a acelerar cada vez mais, sentia-me a ficar corado, imaginei-me a despir as duas peças de roupa que cobriam aquele corpo, um desejo enorme de beijá-la nascia dentro de mim.  
Sendo comprometido, era a primeira vez que sentia algo assim em tais condições, mas isso não me fez descer (mais) baixo e continuei a lutar contra aquele desejo latente. Com isso, enchi os meus pulmões de coragem e apesar de ter saído com uma voz tremula disse "Não. Isto não pode acontecer. Vou embora.".
Com uma das suas mãos ela fez um sinal negativo, em como não me ia deixar ir embora e com um movimento voluptuoso sentou-se, de frente para mim, sobre a minha perna direita. Eu continuava completamente imóvel, por outro lado, ela começou a abrir a minha camisa, desabotoando botão após botão. Assim que terminaram os botões temi que ela continuasse a descer, mas não. As suas mãos voltaram para cima, desta feita a tocar no meu tronco duma maneira absurdamente fascinante, como somente uma pessoa havia feito até então. Da maneira como ela o fazia, parecia que já tinha explorado o meu corpo antes, parecia que sabia como me deixar ali...preso aquela cadeira.
Aquilo não podia continuar, eu tinha de fazer algo para parar aquela situação. Quanto mais hesitasse mais difícil seria para me libertar depois, o meu coração falava mais alto, o sentimento que nutria por outra pessoa era demasiado forte para ficar ali muito mais tempo, portanto decidi tomar uma atitude.
Coloquei as minhas mãos na sua cintura e dei a entender que me estava a deixar levar pela circunstância, senti um sorriso de satisfação nos seus lábios como quem dizia "Finalmente consegui dar-te a volta"; "Se soubesses que estou a usar esta situação para sair daqui, não sorrias dessa maneira", pensei eu.
Fiz um movimento para me levantar da cadeira, e ela correspondeu levantado-se quando a mim. Ela, tinha metido as suas mãos à volta do meu pescoço; e eu, continuava com as minhas na sua cintura. Desci as minhas mãos para as suas ancas, peguei nela e sentei-a em cima da mesa, como tinha previsto ela retirou as mãos do meu pescoço e começou a explorar novamente o meu tronco.
A situação tinha-se tornado favorável e aquela seria a melhor oportunidade para sair dali, e assim fiz. Aproveitei aquela ocasião onde nada me prendia e com um passo acelerado sai para fora do quarto enquanto apertava a camisa.
A porta do quarto, ao fechar-se, bateu com um grande estrondo que acabou por ecoar em todo aquele piso. No instante em que a porta do quarto se fechou, mal sabia eu que três andares acima, a minha companheira começava a chorar compulsivamente.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Encontro Inesperado (VI)

(...) Era a rapariga do almoço. Por momentos fiquei atónito, algo se passava comigo, mas em breves segundos continuei o que estava a fazer antes daquele encontrão inesperado. No entanto, e uma vez mais, voltou a não me sair do pensamento. "Outra vez aquela rapariga, aquele sorriso novamente, mas desta vez senti o seu perfume... Que cheiro irresistível. Só espero que nenhuma das duas tenha reparado em como fiquei sem jeito.", pensava eu.
Mas pensava mal, porque segundos depois a voz da pessoa que me fazia feliz, fez-se sentir.
   - O que tens? Noto que não estás bem. - disse ela.
   - Não se passa nada, estou um pouco cansado só isso. - respondi, com uma voz trémula.
Enquanto isso o meu interior começava a atormentar-me por lhe estar a mentir, coisa que detestava fazer.
   - Porque será que não acredito nisso que me disseste? - retorquiu ela.
   - Mas devias. Assim como devias aproveitar esta vista. Já reparaste que temos Paris aos nossos pés? - disse eu, escolhendo as palavras a dedo, de modo a libertar-me daquele assunto que começava a inquietar-me cada vez mais os pensamentos.
No resto do nosso passeio nocturno não se tocou mais naquele assunto, e aparentávamos ser o que de facto éramos, um casal de dois jovens apaixonados um pelo outro.
Assim que chegámos ao nosso quarto e nos deitámos, não foi preciso esperar muito para que ela adormecesse. Como sempre, parecia um anjo enquanto dormia, um anjo sem asas mas que mesmo assim era capaz de iluminar o meu caminho e de me fazer feliz.
O tempo passava e eu não conseguia dormir, portanto decidi levantar-me com a máxima prudência de modo a não destabilizar o teu sono. Voltei a vestir-me e em cima duma pequena secretária deixei um bilhete onde se podia ler "Não conseguia dormir, e fui dar uma volta. Não te preocupes.". Quando ia para sair, o silêncio que se fazia sentir, acabaria por ser interrompido com o barulho de uma pessoa a passar no corredor, pelo som dos passos poderia dizer que se tratava de uma mulher.
O som começou a diminuir até que acabaria por cessar. Assim sendo, saí do quarto e à medida que percorria os vastos corredores do hotel, tentava ao máximo abafar o som dos meus passos. Não queria incomodar ninguém.
Farto de percorrer aqueles corredores a pé, decidi esperar por um elevador. Estava a precisar de apanhar ar puro, de que a brisa da noite levasse para bem longe certos pensamentos.
Após uns longos três minutos de espera as portas do elevador abrem-se perante mim, e pela terceira vez naquele dia volto a cruzar-me com a jovem rapariga de cabelo castanho-claro. Sem me recordar que estava no coração de Paris, com uma voz meio rouca (provavelmente pelo choque causado por encontrar novamente aquela rapariga) e à medida que entro no elevador digo "Boa noite.".
Antes que pudesse remediar o meu "erro" ao ter falado em português, e até mesmo antes das portas do elevador se fecharem por completo ouço uma voz ténue dizer "Boa noite. Vejo que é a terceira vez que nos cruzamos em tão pouco tempo.".
   - Sim, é verdade. - respondi eu.
Por algum motivo, que ainda desconhecia a presença daquela rapariga incomodava-me. Ainda mais agora, que descobri que parece falar fluentemente português.
   - Então e para onde vai um rapaz, tão bem parecido, a estas horas da noite sem qualquer companhia? - perguntou a misteriosa rapariga.
   - Apanhar ar puro. Insónias. - disse , telegraficamente.
   - Importa-se que o trate por "tu"? Ou até que lhe faça companhia nesse passeio nocturno? É que estou na mesma situação. - disse a rapariga, com uma certa lábia.
   - Não, claro que não. Acho que nos pode fazer bem. - respondi.
Assim sendo, ambos saímos do hotel e fomos dar um breve passeio nas margens do "Seine", rio que banha a cidade de Paris.
Tinha passado pouco mais de uma hora quando ambos regressámos ao hotel. Mas desta vez, não fomos cada um para seu lado, eu acompanhei a rapariga ao quarto dela, e ela fez questão que entrasse para tomar uma bebida antes de eu regressar ao meu quarto. Fez-me sinal para entrar primeiro e assim fiz, de seguida ela entrou e fechou a porta.
Quando o barulho da porta ao ser fechada se fez sentir, três andares acima alguém acabara de acordar e dera pela falta do seu companheiro.