sábado, 31 de dezembro de 2011

Paris (V)

(...) "Paris é o nosso destino". Dito isto, fiquei ali sentado na beira da cama a apreciá-la comer o seu pequeno-almoço. Ela terminou o seu pequeno-almoço e fomos arranjar-nos para o dia que tínhamos pela frente. Um dia que prometia, afinal Paris "era" o nosso destino.
Arranjámo-nos e saímos do quarto, daquela vez não foi preciso que ela me pedisse para guardar as chaves, instintivamente eu guardei-as no bolso. Descemos até ao Hall do hotel e aí começámos a sentir o frio que se fazia sentir na rua, mas isso não importava para nada, o calor do nosso amor fazia frente a qualquer frio.
"Para onde vamos?", perguntei eu; "Não sei. Eu confio em ti, portanto sê a minha estrela polar, e guia-me por esta bela cidade", respondeu ela apaixonadamente; "Sempre a surpreender-me, impressionante", pensei. Mas, ao invés de responder com palavras, respondi com um sorriso que apenas ela sabia interpretar como sendo um "Amo-te".
Na rua, passavam todo o tipo de pessoas: umas com um andar acelerado, notava-se perfeitamente que conheciam aquilo e estavam presas ao stress diário; outras com um passo mais calmo, apreciavam a beleza daquela avenida.
Para começar em grande, e por até ficar perto, decidi que naquela manhã iríamos visitar o Musée du Louvre, para isso seguimos até à Place de la Concorde, onde acabaríamos por parar uns minutos para tirar umas fotografias, junto ás fontes.
Um pouco mais à frente fizemos mais uma pequena pausa, no Jardin des Tuileries, para apreciar a beleza daquele local, assim como um grupo de crianças a brincar. E que pelas sonoras gargalhadas que se faziam ecoar, pareciam bastante felizes. Era a inocência da idade, aliada ao poder da diversão e da amizade. Fantástico!
Assim que a visita no Louvre terminou regressámos ao hotel, agora com um passo mais acelerado. Não por já conhecermos a zona, e muito menos por estarmos presos a um stress diário; mas sim porque as nossas barrigas já estavam a ficar chateadas connosco. Queriam comer.
Estávamos prestes a acabar a nossa refeição quando as portas daquele salão se abriram uma vez mais, mas daquela vez havia algo diferente, algo que me chamou a atenção. À medida que as duas portas se afastavam, um vulto feminino começava a revelar-se e prendeu a minha atenção por breves segundos. Desviei o olhar e concentrei-me na minha companhia e no resto do comer que estava sobre a mesa.
No final da refeição, enquanto me levantava da mesa e seguia em direcção da porta, não pude deixar de reparar naquela jovem rapariga que havia entrado minutos antes.
Tinha o cabelo castanho claro, incerto e com caracóis nas pontas; olhos castanho-esverdeados; estatura média e um corpo propício a fazer qualquer homem cair em tentação. Fitámo-nos por breves instantes. Ela sorriu-me, mas eu "ignorei" e segui em frente, como se nada tivesse acontecido.
Durante a tarde, aquela imagem, aquele sorriso não me saíram da mente. Nem as visitas à Cathédrale Notre-Dame de Paris, ao Musée de l'Armée [onde está o jazigo de Napoleão Bonaparte], ... ; conseguiram retirar-me aquilo do pensamento.
Estava a anoitecer, e Paris começava a revelar o porquê de ser a "Cidade Luz". Como combinado no final do jantar dirigimo-nos para a Tour Eiffel, queríamos aproveitar a melhor vista que ela nos poderia oferecer, Paris à noite.
Quando chegámos, com o meu jeito desajeitado de ser fui contra uma pessoa do sexo feminino. Imediatamente disse "Pardon-moi, vous êtes bien?" (1); ainda sem ver o seu rosto ouvi uma voz feminina dizer "C'est tout droit. Ne vous inquiétez pas." (2). Que voz doce, pensei eu.
Instantes depois vejo o resto da pessoa contra quem havia ido... Era a rapariga do almoço.

(1) - "Perdoe-me, está bem?"
(2) - "Está tudo bem. Não se preocupe."


O Nosso Destino (IV)

(...) Olhámos em frente, e juntos, decidimos enfrentar o destino. O nosso destino. Os dias foram passando, e aquela noite na praia havia mudado tudo por completo, desde aquele momento que passamos a ser mais cúmplices um do outro, tornámo-nos um só. 
Certo dia, o meu sono estava a ficar cada vez mais leve, e com isso comecei a sentir a normal agitação matinal que faz parte do dia a dia das grandes cidades. Mas hoje era diferente, havia mais barulho que o normal. Porquê?
Decidi ir ver o que se passava mas a coragem para sair da cama era tão pouca, até o mais corajoso dos homens perdia a sua coragem com tal diferença de temperatura. Ficava com menos coragem ainda, ao saber que a seu lado tinha a outra metade de si, e não queria incomodá-la por nada.
Aguardei mais uns cinco minutos, e a curiosidade que nascia em mim era mais forte do que o frio que se fazia sentir. Até porque não estava a reconhecer aquele quarto. Não era o dela, e muito menos era o meu.
Com todo o cuidado possível deslizei para fora dos lençóis, vesti um robe e fui até à janela tentar descobrir o que se passava no exterior. Limpei o vidro embaciado e pude contemplar que não se tratava da minha cidade.
A arquitectura dos prédios circundantes era algo mais clássico, e há minha frente além de árvores e duma organização que fazia lembrar a Baixa Pombalina podia contemplar uma grande avenida que se estendia pelo menos por 2km. Lá ao fundo, conseguia ver um monumento que me era familiar. Não estava a acreditar no que os meus olhos viam e para tirar as dúvidas fui para a varanda, olhei em redor e as minhas suspeitas confirmavam-se. Uma imponente estrutura metálica com cerca de 300 metros e 7000 toneladas de peso estava ali mesmo, erguida em frente aos meus olhos. Sim, estou a referir-me aos Champs-Élysées, Arc de Triomphe e à Tour Eiffel.
O frio já se apoderava de mim, eu estava completamente gelado. E certamente que ela iria acordar caso eu voltasse para a cama, como não queria isso decidi ir preparar um pequeno almoço que faria inveja a qualquer pessoa.
Pequeno almoço esse, que era composto por coisas maravilhosas desde um sumo de coco, passando por algumas frutas tropicais e terminando com um pequeno chocolate Merci para começar aquele, que viria a ser um longo dia, com um gosto doce. 
Assim que acabei de preparar tudo, decidi ir acordá-la. Comecei por lhe dar uns beijos no pescoço da maneira que ela gostava, e momentos depois reparei nos seus lábios a mexer e da sua boca ouvi-a dizer "Continua", com uma voz trémula e ensonada, mas com a sua maneira doce de falar.
E eu continuei. Minutos depois quando ela já estava mais acordada, estendi-lhe o tabuleiro com o pequeno almoço que havia preparado, e assim que ela viu aquele tabuleiro recheado, os seus olhos pareciam duas estrelas cintilantes a transbordar de alegria. Naquele momento era capaz de me sentir o homem mais feliz do mundo, somente de ver a felicidade que aquele brilho transmitia.
Reparei que ela ia para falar, mas imediatamente me antecipei dizendo "Não digas nada. Hoje o dia vai ser longo, meu amor.", enquanto isso faço uma pausa, olho pela janela e digo "Paris é o nosso destino".

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Amanhecer (III)

(...) Com um beijo na testa dela, e um “Gosto muito de ti!” , fechei os olhos e adormeci. Adormeci, mas ao amanhecer com os primeiros raios de sol a atingirem-me a cara conjugados com o som das gaivotas, acabaria por acordar. Sou sincero, não queria acordar. Tinha medo, medo de que tudo não passa-se de um sonho.
Assim que senti o seu corpo junto ao meu; o seu respirar; o nosso calor ... Respirei de alivio, e mesmo sabendo que ela não estava a ver, sorri de felicidade. De facto tinha sido um sonho, mas um sonho real.
Pensei em acordá-la da maneira que ela mais gostava, com imensos mimos. Mas não, parecia tão cansada. Decidi deixá-la dormir envolta nos meus braços, assim sempre a aquecia e protegia, como se fosse um tesouro. E de facto era, o meu tesouro.
Apreciei um pouco mais a beleza daquele amanhecer, e aguardando pelo momento em que ela iria despertar do seu mundo dos sonhos, fechei os olhos.
Não teria de esperar muito, porque passado uns instantes ela começou a mexer-se, e com uma voz baixinha diz "Ainda dormes?"; Respondi um simples "Não", que viria a completar dizendo "Estava há espera que acordasses, para te poder relembrar o quanto eu gosto de ti".
Assim que acabei a minha frase, os lábios dela começaram a esboçar um sorriso. Sorriso esse que acabaria por desaparecer dos lábios dela, no momento em que decidi juntar os lábios de ambos. Mas apesar de ter desaparecido dos lábios, esse sorriso acabaria por  "fugir" para os nossos corações.
Com tudo isto, demos as mãos, "virando as costas" ao mar. Olhámos em frente, e juntos, decidimos enfrentar o destino. O nosso destino.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Lua Cheia (II)

(…) o sol pôs-se; mas a minha felicidade, essa nasceu. Nasceu, assim como uma bela noite de lua cheia. A nossa noite. De mãos dadas continuámos a caminhar, até que começámos a sentir a brisa marítima tornar-se cada vez mais forte. Ao nosso ritmo, acabaríamos por chegar ao areal, até que parámos para apreciar toda a beleza daquele local. Senti o frio a apoderar-se dela, e perguntei-lhe “Queres o meu casaco?”; Com um sorriso rasgado ouço a sua voz doce dizer “Não. O nosso calor chega”. Aquelas palavras causaram em mim tal sensação apaixonante, que num movimento involuntário, abraço-a e encosto a sua cabeça ao meu peito. Senti-me tão bem. Que sensação única havia sido aquela, perguntava a mim mesmo. Mal sabia eu, que naquele momento ela se interrogava com a mesma questão, e sentia o mesmo que eu estava a sentir. Com o ouvido junto ao meu peito, ela ouvia o bater do meu coração e pensava “Os nossos corações estão a bater de igual modo, ao mesmo tempo. Parecem um só.”. Era a nossa perfeita sintonia! À nossa volta, haviam as coisas mais bonitas que podem existir: um luar que iluminava todo o horizonte e deixava um lindo efeito nas calmas águas do mar; o céu limpo que permitia a todas as estrelas mostrarem o seu brilho; (…) ; as ondas a rebentarem contra as rochas com o seu som característico. Estávamos rodeados de coisas bonitas, no entanto, a mais bonita de todas elas estava ali connosco. E enquanto que todas as outras podiam ser de qualquer um, o que estava ali connosco não podia. Era algo só nosso, o nosso amor... Aquele que nos fez cometer a “loucura” de estar ali naquele momento; mas não nos faz apenas cometer “loucuras”, pois é ele que nos faz felizes. Com todo aquele ambiente perfeito, e após mil e uma palavras de amor trocadas entre nós, ela acabaria por adormecer encostada a mim. Com um beijo na testa dela, e um “Gosto muito de ti!” , fechei os olhos e adormeci.

Pôr-do-Sol (I)

O sofrimento apoderava-se de mim, e uma lágrima começou a escorrer pelo meu rosto. Não havia pensamento algum que conseguisse cessar tal sentimento de tristeza. No entanto, de repente, olho em frente e parece-me ver alguém a caminhar na minha direcção.
Por momentos pensei que estivesse a ter visões por ter os olhos encharcados; sequei os olhos, olhei em frente e o vulto que outrora tinha visto continuava a aproximar-se cada vez mais, e a ganhar contornos familiares.
Não queria acreditar em quem estava a ver, não podia ser possível. Como ela tinha descoberto o meu local predilecto se nunca lho tinha dito? Fiquei em silêncio até que senti o seu braço a abraçar-me e a perguntar junto ao meu ouvido “Porque estás assim?”; A voz não queria sair.
“Porque é que a pessoa mais alegre que conheço está assim?”, repetia ela; A voz continuava presa, mas fechei os olhos, respirei fundo e disse “Quero sentir-te junto a mim”.
Foi a vez da voz dela se manter em silêncio, e eu pensei “Boa, como sempre estragas tudo.”; O silêncio mantinha-se, estava a destruir-me por dentro. Levantei-me e comecei a ir-me embora, a pensar mil e uma coisas más de mim, até que… “Onde vais?”, gritava ela a correr atrás de mim.
Sem qualquer hesitação disse “Procurar a minha felicidade, pode ser que a encontre”; “Ainda não a encontraste?”, ripostou ela.
Dei-lhe a mão e disse “Por acaso já, mas para isso preciso de ti!”; Ela sorri e diz “Então não caminhes no sentido oposto ao meu, vamos caminhar juntos.”
Naquele momento, senti-me a ganhar uma nova vida dentro de mim.
Olhei-a nos olhos e ela acenou a cabeça, como quem diz “Sim, eu confio em ti”; E de mãos dadas, começamos a caminhar em direcção do pôr-do-sol. Nesse dia, o sol pôs-se; mas a minha felicidade, essa nasceu.