(...) No instante em que a porta do quarto se
fechou, mal sabia eu que três andares acima, a minha companheira
começava a chorar compulsivamente.
Mal saí porta fora, afastei-me o mais rápido que podia em direcção ao meu quarto. Apressadamente subi os três andares que me separavam dele, e num ápice estou de caras com a porta do meu quarto, tiro a chave do bolso, e abro a porta. Assim que a abro deparo-me com algo que não esperava, ela tinha acordado e encontrava-se a chorar.
Rapidamente me meti à sua beira, e disse:
- Desculpa ter saído sem te acordar, mas não conseguia dormir. Mas, porque estás assim?
- Oh, além de ter acordado com um pesadelo horrível fiquei bastante preocupada com o facto de não teres levado o telemóvel contigo. - respondeu , com alguma tristeza na voz.
- Se tivesse poderes de adivinhação tinha ficado para te confortar. Mas como não fiquei, sempre posso tentar fazê-lo agora. Apesar de ter uma coisa desagradável para te contar. - disse eu, com algum desassossego.
Quando estas palavras saíram da minha boca ela ficou pálida quase instantaneamente, a sua pele morena havia perdido toda a cor.
Ela perguntou o que tinha para lhe contar que fosse tão desagradável como eu dizia que era, e eu contei toda a história como realmente se havia passado.
Inicialmente ela ficou transtornada como seria de esperar, e fez mil e uma perguntas, perguntas às quais eu respondi a todas com a maior sinceridade. No final daquele merecido "interrogatório", fiquei surpreendido com o que ela me disse:
- Sabes, isso que fizeste magoou-me imenso mas vou acreditar no que me disseste e mesmo que tenhas sentido algum tipo de desejo por aquela...rameira, eu perdoo-te.
Após uma breve pausa, continuou:
- Nunca me desiludiste até agora e vou acreditar que o amor que sentes por mim é mais forte do que aquele desejo. E espero também que isso não se volte a repetir.
Sem saber que palavras devia proferir, simplesmente me abracei a ela, sequei as lágrimas que persistiam em sair e com um "simples" beijo nos seus doces lábios tentei transmitir-lhe toda a genuinidade e grandeza do meu amor por ela.
Quando os nossos lábios se separaram, o sorriso que ela esboçou emanou uma felicidade tão grande que pareceu afastar todo o tipo de melancolia daquele quarto.
- Vamos descansar, estamos a precisar. Depois de toda esta agitação a meio da noite, nada melhor do que passarmos o resto do tempo juntos um ao outro. - disse ela com uma postura ternurenta.
Com isto, fomos deitar-nos, e como pressentia que ela necessitava de bastante afecto e carinho por tudo o que se tinha passado naquela noite, decidi adormece-la da maneira que ela mais gostava, com imensos mimos e a dizer-lhe as mais bonitas palavras de amor ao ouvido. Acabámos por adormecer com as nossas mãos entrelaçadas.

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