O sofrimento apoderava-se de mim, e uma
lágrima começou a escorrer pelo meu rosto. Não havia pensamento
algum que conseguisse cessar tal sentimento de tristeza. No entanto,
de repente, olho em frente e parece-me ver alguém a caminhar na
minha direcção.
Por momentos pensei que estivesse a ter visões
por ter os olhos encharcados; sequei os olhos, olhei em frente e o
vulto que outrora tinha visto continuava a aproximar-se cada vez
mais, e a ganhar contornos familiares.
Não queria acreditar em
quem estava a ver, não podia ser possível. Como ela tinha
descoberto o meu local predilecto se nunca lho tinha dito? Fiquei em
silêncio até que senti o seu braço a abraçar-me e a perguntar
junto ao meu ouvido “Porque estás assim?”; A voz não queria
sair.
“Porque é que a pessoa mais alegre que conheço está
assim?”, repetia ela; A voz continuava presa, mas fechei os olhos,
respirei fundo e disse “Quero sentir-te junto a mim”.
Foi a
vez da voz dela se manter em silêncio, e eu pensei “Boa, como
sempre estragas tudo.”; O silêncio mantinha-se, estava a
destruir-me por dentro. Levantei-me e comecei a ir-me embora, a
pensar mil e uma coisas más de mim, até que… “Onde vais?”,
gritava ela a correr atrás de mim.
Sem qualquer hesitação
disse “Procurar a minha felicidade, pode ser que a encontre”;
“Ainda não a encontraste?”, ripostou ela.
Dei-lhe a mão e
disse “Por acaso já, mas para isso preciso de ti!”; Ela sorri e
diz “Então não caminhes no sentido oposto ao meu, vamos caminhar
juntos.”
Naquele momento, senti-me a ganhar uma nova vida dentro
de mim.
Olhei-a nos olhos e ela acenou a cabeça, como quem diz
“Sim, eu confio em ti”; E de mãos dadas, começamos a caminhar
em direcção do pôr-do-sol. Nesse dia, o sol pôs-se; mas a minha
felicidade, essa nasceu.

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