quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Pôr-do-Sol (I)

O sofrimento apoderava-se de mim, e uma lágrima começou a escorrer pelo meu rosto. Não havia pensamento algum que conseguisse cessar tal sentimento de tristeza. No entanto, de repente, olho em frente e parece-me ver alguém a caminhar na minha direcção.
Por momentos pensei que estivesse a ter visões por ter os olhos encharcados; sequei os olhos, olhei em frente e o vulto que outrora tinha visto continuava a aproximar-se cada vez mais, e a ganhar contornos familiares.
Não queria acreditar em quem estava a ver, não podia ser possível. Como ela tinha descoberto o meu local predilecto se nunca lho tinha dito? Fiquei em silêncio até que senti o seu braço a abraçar-me e a perguntar junto ao meu ouvido “Porque estás assim?”; A voz não queria sair.
“Porque é que a pessoa mais alegre que conheço está assim?”, repetia ela; A voz continuava presa, mas fechei os olhos, respirei fundo e disse “Quero sentir-te junto a mim”.
Foi a vez da voz dela se manter em silêncio, e eu pensei “Boa, como sempre estragas tudo.”; O silêncio mantinha-se, estava a destruir-me por dentro. Levantei-me e comecei a ir-me embora, a pensar mil e uma coisas más de mim, até que… “Onde vais?”, gritava ela a correr atrás de mim.
Sem qualquer hesitação disse “Procurar a minha felicidade, pode ser que a encontre”; “Ainda não a encontraste?”, ripostou ela.
Dei-lhe a mão e disse “Por acaso já, mas para isso preciso de ti!”; Ela sorri e diz “Então não caminhes no sentido oposto ao meu, vamos caminhar juntos.”
Naquele momento, senti-me a ganhar uma nova vida dentro de mim.
Olhei-a nos olhos e ela acenou a cabeça, como quem diz “Sim, eu confio em ti”; E de mãos dadas, começamos a caminhar em direcção do pôr-do-sol. Nesse dia, o sol pôs-se; mas a minha felicidade, essa nasceu.  

 

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