(...) Olhámos em
frente, e juntos, decidimos enfrentar o destino. O nosso destino. Os dias foram passando, e aquela noite na praia havia mudado tudo por completo, desde aquele momento que passamos a ser mais cúmplices um do outro, tornámo-nos um só.
Certo dia, o meu sono estava a ficar cada vez mais leve, e com isso comecei a sentir a normal agitação matinal que faz parte do dia a dia das grandes cidades. Mas hoje era diferente, havia mais barulho que o normal. Porquê?
Decidi ir ver o que se passava mas a coragem para sair da cama era tão pouca, até o mais corajoso dos homens perdia a sua coragem com tal diferença de temperatura. Ficava com menos coragem ainda, ao saber que a seu lado tinha a outra metade de si, e não queria incomodá-la por nada.
Aguardei mais uns cinco minutos, e a curiosidade que nascia em mim era mais forte do que o frio que se fazia sentir. Até porque não estava a reconhecer aquele quarto. Não era o dela, e muito menos era o meu.
Com todo o cuidado possível deslizei para fora dos lençóis, vesti um robe e fui até à janela tentar descobrir o que se passava no exterior. Limpei o vidro embaciado e pude contemplar que não se tratava da minha cidade.
A arquitectura dos prédios circundantes era algo mais clássico, e há minha frente além de árvores e duma organização que fazia lembrar a Baixa Pombalina podia contemplar uma grande avenida que se estendia pelo menos por 2km. Lá ao fundo, conseguia ver um monumento que me era familiar. Não estava a acreditar no que os meus olhos viam e para tirar as dúvidas fui para a varanda, olhei em redor e as minhas suspeitas confirmavam-se. Uma imponente estrutura metálica com cerca de 300 metros e 7000 toneladas de peso estava ali mesmo, erguida em frente aos meus olhos. Sim, estou a referir-me aos Champs-Élysées, Arc de Triomphe e à Tour Eiffel.
O frio já se apoderava de mim, eu estava completamente gelado. E certamente que ela iria acordar caso eu voltasse para a cama, como não queria isso decidi ir preparar um pequeno almoço que faria inveja a qualquer pessoa.
Pequeno almoço esse, que era composto por coisas maravilhosas desde um sumo de coco, passando por algumas frutas tropicais e terminando com um pequeno chocolate Merci para começar aquele, que viria a ser um longo dia, com um gosto doce.
Assim que acabei de preparar tudo, decidi ir acordá-la. Comecei por lhe dar uns beijos no pescoço da maneira que ela gostava, e momentos depois reparei nos seus lábios a mexer e da sua boca ouvi-a dizer "Continua", com uma voz trémula e ensonada, mas com a sua maneira doce de falar.
E eu continuei. Minutos depois quando ela já estava mais acordada, estendi-lhe o tabuleiro com o pequeno almoço que havia preparado, e assim que ela viu aquele tabuleiro recheado, os seus olhos pareciam duas estrelas cintilantes a transbordar de alegria. Naquele momento era capaz de me sentir o homem mais feliz do mundo, somente de ver a felicidade que aquele brilho transmitia.
Reparei que ela ia para falar, mas imediatamente me antecipei dizendo "Não digas nada. Hoje o dia vai ser longo, meu amor.", enquanto isso faço uma pausa, olho pela janela e digo "Paris é o nosso destino".

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